As mentiras do general Heleno na CPI dos Atos Golpistas
O general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Bolsonaro, depôs na CPI dos Atos Golpistas no dia 26 de setembro de 2023.
Ele foi convocado para esclarecer seu envolvimento nos atos antidemocráticos que ocorreram no dia 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) após a derrota nas eleições presidenciais.
No entanto, em vez de colaborar com as investigações, o general Heleno se mostrou arrogante, agressivo e mentiroso.
Ele negou qualquer participação nos atos golpistas, xingou a relatora da CPI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), e se recusou a responder a várias perguntas dos parlamentares. Ele também tentou desqualificar as provas e as testemunhas que o incriminam.
Veja a seguir algumas das mentiras que o general Heleno disse na CPI:
Ele disse que não sabia de nenhuma reunião entre Bolsonaro e os comandantes das Forças Armadas para tratar de intervenção militar. Essa reunião foi revelada pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que fez uma delação premiada à Polícia Federal. Cid afirmou que Bolsonaro tentou convencer os militares a apoiarem seu golpe, mas eles se recusaram.
Ele disse que não participou de nenhum ato antidemocrático e que não tinha nada a ver com os acampamentos bolsonaristas em frente ao quartel-general do Exército em Brasília. Esses acampamentos foram denunciados por um servidor da Polícia Federal lotado na Presidência da República, que acusou o GSI de estar por trás dos atos de vandalismo de 12 de dezembro de 2023 na capital federal2. O servidor também afirmou que o general Heleno era o mentor intelectual dos atos golpistas.
Ele disse que não conhecia a minuta golpista encontrada com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Essa minuta era um decreto presidencial que previa a intervenção militar no país, a suspensão da Constituição e a destituição dos ministros do STF. A minuta foi elaborada pelo coronel reformado do Exército Sebastião Curió, que é amigo pessoal do general Heleno.
Ele disse que não houve transição entre ele e seu sucessor no GSI, o general Gonçalves Dias. Essa afirmação contradiz o depoimento do próprio Gonçalves Dias à CPI, que afirmou que houve três reuniões entre eles e que o GSI ficou à disposição durante todo o período.
Essas são apenas algumas das mentiras que o general Heleno disse na CPI dos Atos Golpistas.
Ele demonstrou falta de respeito pela democracia, pela verdade e pelo Parlamento. Ele também mostrou sua fidelidade cega a Bolsonaro, mesmo diante das evidências de sua participação nos atos golpistas.
O general Heleno é mais um exemplo da cumplicidade dos militares com o projeto autoritário de Bolsonaro.
Ele deve ser responsabilizado pelos seus crimes contra a Constituição e a soberania nacional.

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