sexta-feira, 22 de setembro de 2023

 Equipe jurídica de Bolsonaro busca mecanismo legal para contestar STF sobre divulgação da delação de Cid

Defensores do ex-mandatário negam que tenham planejado confrontar o tenente-coronel Mauro Cid


O ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) e sua equipe jurídica buscam mecanismo legal para contestar o Supremo Tribunal Federal (STF) pela divulgação de trechos da delação premiada do ex-auxiliar de ordens do ex-presidente, o tenente-coronel Mauro Cid.


A defesa alega que o conteúdo da colaboração premiada de Cid com a Polícia Federal (PF) deveria ser mantido em segredo, mas partes dos depoimentos têm sido veiculadas pela mídia nos últimos dias.


O ex-auxiliar de ordens do ex-presidente revelou à PF que Bolsonaro se encontrou com os chefes das Forças Armadas para planejar um golpe de Estado para permanecer no poder.


O almirante Almir Garnier, que era o comandante da Marinha na época, teria apoiado a ideia de um golpe de Estado, enquanto que o comandante do Exército teria se oposto ao plano.

A reunião teria acontecido quando Bolsonaro ainda ocupava a presidência, depois das eleições do ano passado. A informação, que foi publicada inicialmente pelo UOL e pelo jornal O Globo, foi corroborada pela CNN.


No entanto, os defensores de Bolsonaro não querem entrar em conflito com o ex-auxiliar de ordens e garantem que nunca pensaram em atacar Cid.

Em recente entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Bolsonaro tratou o antigo colaborador como um “filho” e disse que ele é “honesto e não mentirá”.

Nos bastidores, pessoas próximas ao ex-mandatário reiteram que não há razão para duvidar de Cid, que sempre foi fiel e que se limitará aos fatos.

Ao assinar o acordo de delação premiada com a Polícia Federal, Cid fica à disposição para dar novos depoimentos. Ou seja, pode continuar fornecendo mais informações sobre todas as investigações que envolvem o ex-presidente.


Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro já tinham protestado contra o vazamento para a mídia. Na sexta-feira (15), os defensores entraram com um recurso para ter acesso ao depoimento do ex-auxiliar de ordens do ex-presidente, tenente-coronel Mauro Cid, à Polícia Federal no dia 31 de agosto.

Os defensores tentam anular a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu no dia 11 a liberação das informações dadas por Cid por causa do acordo de colaboração premiada feito pelo militar.

As afirmações do tenente-coronel foram dadas no inquérito que apura o suposto esquema de venda ilegal de joias recebidas pelo ex-ocupante do Palácio do Planalto durante viagens oficiais.

No agravo regimental, a defesa sustenta que o acordo de delação foi firmado após o depoimento dado por Cid. Os advogados alegam ainda que a mídia tem tido acesso a partes da delação feita por Cid com Polícia Federal antes mesmo da defesa.

“Essa disparidade, longe de parecer mero acaso, expõe de maneira preocupante a realidade de um sistema legal vulnerável a manipulações e tendências, ao passo que a defesa se vê forçada a repetidamente argumentar em busca de acesso completo aos autos.”



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